Antes de sumir, vereador saiu da Câmara chorando com carta de renúncia na mão

O vereador Edivaldo Ribeiro e Silva, 48 anos, o Vado Malassombrado (DEM), considerado desaparecido pela Polícia Civil, deixou a Presidência da Câmara Municipal de Salvador, nessa segunda-feira (3), chorando muito, após solicitar e obter uma carta de renúncia ao cargo.

Ao CORREIO, um funcionário da Casa, que pediu para não ser identificado, contou que Vado esteve na manhã anterior ao sumiço, onde conversou com dois assessores. Ainda de acordo com a fonte, o vereador teria falado aos assessores que, se não renunciasse, perderia a família.

Os parentes de Vado estiveram na delegacia, para denunciar o sumiço, no final da tarde desta terça (4). Eles fizeram um registro do caso na Delegacia de Proteção à Pessoa (DPP), do Departamento de Homicídios e Proteção a à Pessoa (DHPP). A polícia colheu o depoimento dos familiares, mas as informações prestadas não foram divulgadas.

Chefe de gabinete do vereador, Rômulo Moraes, mais conhecido como Rominho, disse à reportagem que o último contato com o Vado ocorreu no final da manhã dessa segunda, mais precisamente às 11h28.

“Ele estava na Câmara Municipal quando nos falamos pelo WhatsApp. Depois disso, ele não foi visto mais”, informou.
Vado estava usando o veículo oficial da Câmara, um Colbalt branco (placa PLD-7396). O assessor parlamentar não soube dizer se o veículo possui sistema de rastreamento.

O alerta para o desaparecimento só veio nesta terça, após Vado não comparecer à sessão na Câmara Municipal. “Ele não perde nenhuma sessão e é sempre um dos primeiros a chegar. Quando deu o horário da plenária e ele não chegou, pedi para o filho dele dar uma queixa”, conta o chefe de gabinete.

Desde o final da manhã dessa segunda o celular dele está desligado e ele não acessa o WhatsApp. “A gente está preocupado porque ele não tem inimigos, mas não temos noção do que pode ter ocorrido”.

Comissão
O correligionário e também vereador Alexandre Aleluia (DEM) informou que no grupo do WhatsApp dos vereadores – ao menos os que já souberam da situação, no início da noite desta terça –, está sendo discutida a “possibilidade de formar uma comissão para ir ao secretário de Segurança Pública” para pedir um acompanhamento especial ao caso.

“Os vereadores estão sensíveis a esse caso e estamos nos organizando para também dar apoio à família”, disse.

A vereadora Aladilce Souza (PCdoB), uma das colegas que também tinham acabado de tomar conhecimento do fato, confirmou que a ajuda ainda está sendo organizada. “No momento, o que fiz foi repassar para todos os meus contatos o aviso oficial de desaparecido conforme solicitação da família”, contou ela, ao dizer que continuará somando esforços para encontrar o colega.

Perfil
Eleito vereador pela primeira vez em 2012, depois de uma tentativa frustrada em 2008, Vado conta em seu perfil no site da Câmara que já foi pedreiro, marceneiro, mecânico, carpinteiro, eletricista, ambulante, vendedor de picolé e de pastéis, antes de se tornar um edil.

Vado é natural de Olinda (PE) e veio para Salvador quando tinha 12 anos. É casado e tem dois filhos. Está no segundo mandato de vereador pelo Democratas, tendo assumido uma cadeira na Câmara Municipal de Salvador em 2013, com 4.059 votos. Na segunda eleição, sua votação chegou a 7.410 votos.

Morador da localidade da Mangueira, na Cidade Baixa, ele realiza nas comunidades carentes há 30 anos com o Trio Malassombrado (carro de som construído por ele).

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