Tabela do frete pode acabar com 52 mil empregos, diz CNA

O país pode perder de 10 mil a 52 mil empregos, caso não se acabe com tabela do frete, disse Bruno Lucchi, superintendente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), na audiência pública, que decorre nesta tarde no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o tema, citando um estudo da Embrapa.

Segundo o mesmo levantamento, as exportações de quatro grãos, como milho e soja, podem recuar R$ 13 bilhões com o tabelamento do preço mínimo para o transporte rodoviário, criado pelo governo para acabar com a greve dos caminhoneiros no fim de maio, que trouxe transtornos para o abastecimento de alimentos e combustíveis.

Antes do tabelamento, segundo expôs a CNA, um frete de Sorriso (MT) ao Porto de Santos custava R$ 290 por tonelada; com a tabela, esse valor subiu 120% no caso contrato prever um “frete de retorno”, cobrança mesmo quando o caminhão volta vazio, ou alta de 50%, sem esse pagamento.

Para Lucchi, o preço mínimo estabelecido pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) tem “impactado drasticamente” o setor agrícola, que tende a repassar para os preços a alta nos custos de transporte.

Inflação acima da meta
Até maio, segundo lembrou, antes da greve dos caminhoneiros, a inflação subia 2,86%; depois atingiu 4,48% em julho, com alta do custo dos alimentos.

Citando um estudo da LCA Consultores, o representante da CNA, diz que com a tabela, em fevereiro de 2019 a inflação pode chegar a 6,5%, acima da meta do governo. Sem a tabela, ela seria de 4,43%.

O preço do leite, diz, pode subir mais 3% a 8% até fevereiro do ano que vem com o tabelamento. De janeiro a julho, o leite encareceu 73%, disse.

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