O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que é plenamente possível aprovar ainda neste ano o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. Segundo ele, a mudança pode ocorrer sem prejuízos à atividade econômica, desde que haja mobilização da sociedade para pressionar o Congresso Nacional e o setor empresarial. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
A proposta está em tramitação no Congresso por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), já aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em dezembro. O texto limita a jornada diária a oito horas e estabelece carga máxima semanal de 36 horas, distribuídas em até cinco dias, sem redução salarial. Para entrar em vigor, a PEC ainda precisa ser aprovada pelo plenário do Senado e da Câmara dos Deputados.
Na Câmara, um projeto semelhante foi apresentado pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), prevendo também a possibilidade de compensação de horários e ajustes na jornada por meio de acordo ou convenção coletiva. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que antes considerava a proposta inviável, já admite que o tema será debatido ao longo deste ano.
O governo federal trata a mudança na jornada de trabalho como prioridade política. As articulações são lideradas pelos ministros Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, e Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais. A proposta é vista como estratégica e deve ganhar destaque no discurso do governo, especialmente com foco na valorização dos trabalhadores.
Apesar do apoio do Executivo, a proposta enfrenta forte resistência de setores do comércio e da indústria. Entidades empresariais alegam que a redução da jornada pode elevar custos, gerar inflação e encarecer serviços. A FecomercioSP estima que o custo do trabalho poderia aumentar em quase 30% caso o fim da escala 6×1 seja aprovado, o que mantém o debate intenso e polarizado no Congresso e na sociedade.






