O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira, conhecida como Will Bank, dois meses após a liquidação do Banco Master, instituição que controlava o conglomerado.
A decisão esclarece por que o Will não foi liquidado ao mesmo tempo que o Master e reacende a atenção de clientes e do mercado financeiro para a situação do banco digital.

Segundo o Banco Central, a liquidação não ocorreu antes porque havia a expectativa de preservar o funcionamento da Will Financeira por interesse público. Na época, a instituição foi colocada sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET), mecanismo em que o BC assume o controle para evitar prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro. A medida visava permitir uma solução que mantivesse a operação ativa, inclusive com a possibilidade de venda para um novo investidor.
Uma das alternativas consideradas foi a negociação com um investidor de origem árabe, interessado na compra do Will Bank. No entanto, o negócio não avançou e acabou não sendo concretizado. Paralelamente, a situação financeira da instituição se deteriorou, especialmente após o descumprimento da grade de pagamentos com a Mastercard.
De acordo com o BC, no dia 19 de janeiro de 2026 a Will Financeira deixou de cumprir obrigações com a Mastercard, o que resultou no bloqueio de sua participação no arranjo de pagamentos. Esse episódio agravou de forma significativa a condição econômico-financeira da empresa e caracterizou sua insolvência, tornando inevitável a liquidação extrajudicial.
O Banco Central destacou ainda que a insolvência do Will Bank está diretamente associada ao vínculo de controle exercido pelo Banco Master S.A., já em liquidação desde novembro de 2025. Embora as duas instituições não tenham sido liquidadas simultaneamente, a deterioração do conglomerado e a impossibilidade de separar completamente a gestão e os riscos acabaram produzindo um efeito tardio, mas inevitável.
Atualmente, o Will reúne cerca de R$ 7 bilhões em passivos e aproximadamente R$ 8 bilhões em transações correntes vinculadas à bandeira Mastercard. Sem a concretização da venda e com o bloqueio no sistema de pagamentos, as chances de manter a instituição em funcionamento se esgotaram.
Em nota oficial, o Banco Central afirmou que seguirá adotando todas as medidas legais para apurar responsabilidades, podendo aplicar sanções administrativas e comunicar outras autoridades competentes. Conforme prevê a legislação, os bens dos controladores e ex-administradores da instituição ficam indisponíveis a partir da decretação da liquidação.
A liquidação do Will Bank reforça o alerta para clientes sobre os desdobramentos do processo e mantém o tema em destaque nas buscas sobre sistema financeiro, bancos digitais e segurança bancária no Brasil.






