O senador Jaques Wagner anunciou nesta quarta-feira (24) que deixará o cargo de líder do governo no Senado após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o parlamentar, a decisão foi tomada em “comum acordo” com o chefe do Executivo e tem como objetivo permitir que ele se concentre em sua defesa diante das investigações da Polícia Federal.
A informação foi divulgada pelo próprio senador em suas redes sociais após encontro realizado no Palácio da Alvorada.
“Acabei de ter uma ótima reunião com o Presidente Lula, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal. Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado”, afirmou Wagner.
Saída ocorre após operação da Polícia Federal
A decisão acontece poucos dias após o nome de Jaques Wagner aparecer entre os alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura supostas irregularidades relacionadas ao Banco Master, instituição financeira ligada ao empresário Daniel Vorcaro.
Durante a operação, agentes cumpriram mandados e apreenderam aproximadamente US$ 55 mil em espécie, valor equivalente a cerca de R$ 285 mil. Também foram encontrados 33,5 mil euros, estimados em aproximadamente R$ 199 mil, além de mais de dez relógios de luxo.
Até o momento, Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e afirma que buscará comprovar sua inocência perante as autoridades.
Pressão política aumentou nos bastidores
Nos últimos dias, integrantes do governo federal e membros do Partido dos Trabalhadores defendiam que o senador deixasse temporariamente a liderança no Senado para evitar desgastes políticos e possíveis impactos na estratégia eleitoral do partido para 2026.
Apesar da pressão nos bastidores, Wagner resistia à possibilidade de deixar o cargo. A decisão anunciada nesta quarta-feira encerra as especulações e abre caminho para uma reorganização da articulação política do governo no Senado Federal.
O que acontece agora?
Com a saída de Jaques Wagner da liderança do governo, o Palácio do Planalto deverá definir nos próximos dias quem assumirá a função de interlocutor principal entre o Executivo e os senadores. O cargo é considerado estratégico para a aprovação de projetos de interesse do governo no Congresso Nacional.
Enquanto isso, o senador baiano deverá concentrar esforços em sua defesa jurídica e na preparação para as disputas eleitorais de 2026, nas quais pretende buscar a reeleição ao Senado e apoiar as candidaturas de Lula e do governador Jerônimo Rodrigues.






