Famílias com Auxílio Brasil pegam empréstimo sem saber como irão pagar

Beneficiários do Auxílio Brasil que se encontravam nas filas na porta das agências da Caixa Econômica Federal (CEF) nesta sexta-feira (21), no Rio de Janeiro, para pegar empréstimos consignados se mostravam confusos sobre como terão que pagar as parcelas.

A maioria das pessoas ouvidas pela reportagem do portal de notícias G1, alegaram não saber que o valor das prestações será abatido do próprio do benefício, que até dezembro será de R$ 600.

Uma mulher, que mora em uma casa com apenas um quarto, disse que usará o empréstimo para construir mais um quartinho para as crianças. Segundo ela, o que importa é ter o dinheiro todo na mão para iniciar a obra. Esta e outras historias podem ser vistas na matéria do G1.

Foto: Alba Valéria Mendonça/g1

Entenda o empréstimo e o desconto

O empréstimo consignado é um tipo de empréstimo em que a prestação mensal é descontada diretamente da folha de pagamentos. Até então, era destinado a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), trabalhadores com carteira assinada e servidores públicos. Mas uma medida provisória do governo autorizou a concessão deste tipo de empréstimo, também, aos beneficiários de programas sociais.

Quem recebe o Auxílio Brasil, assim como outros benefícios de transferência de renda do governo, poderá fazer empréstimo consignado com desconto direto na fonte.

As parcelas não podem comprometer mais que 40% do valor mensal do benefício. A taxa de juros não poderá ser superior a 3,5% ao mês. Mas é o banco que vai definir a taxa – desde que seja abaixo desse patamar.

A medida é criticada por especialistas, que apontam para o risco de endividamento ainda maior da população mais vulnerável (entenda).

TCU recomenda suspensão

O Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou, em parecer técnico, que o empréstimo consignado do Auxílio Brasil seja suspenso. A recomendação se deve ao possível uso do consignado do Auxílio Brasil para “interferir politicamente nas eleições presidenciais”.

A Caixa Econômica Federal deverá explicar por que decidiu começar a fazer o empréstimo consignado em outubro, entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais.

A instituição financeira deverá se manifestar sobre o caso em até cinco dias úteis a contar de quinta-feira (20), segundo o parecer.

O questionamento do TCU pode assustar funcionários do banco, uma vez que a Corte também pode levar em consideração as atitudes das pessoas físicas — e não só na instituição — na concessão dos empréstimos.

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