O prefeito ACM Neto anunciou no final da tarde desta quarta-feira (23), que a prefeitura mediou um novo acordo com os rodoviários e donos de empresas de transporte de Salvador, no Palácio Tomé de Souza, sede da prefeitura da capital baiana. Segundo disse o prefeito, a nova proposta é de um aumento salarial de 2,7%.
Os rodoviários, que estão em greve desde a madrugada desta quarta-feira, aceitaram levar o acordo para assembleia na madrugada desta quinta-feira (24) e após votação, os rumos da greve devem ser definidos. O encontro da categoria está previsto para ocorrer entre 3h30 e 5h.
Na tarde desta quarta-feira, os representantes da categoria e dos empresários já tinham tentado um acordo em uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na capital baiana, mas não entraram em um consenso, mesmo após a Justiça propor um reajuste de 2,2%.
Diante do impasse, o caso seria levado pata julgamento na segunda-feira (28), na sede do TRT. Entretanto, com essa nova possibilidade de acordo, a prefeitura espera que a greve seja finalizada ainda na madrugada desta quinta-feira.
Campanha salarial
Em campanha salarial há quase 2 meses, os rodoviários pediram, antes da greve, aumento salarial de 6%. Após mediação da Superintendência Regional do Trabalho (SRT) e Ministério Público do Trabalho (MPT), os trabalhadores reduziram para 5% e depois para 3%, mas não houve contraproposta dos patrões.
Com isso, os rodoviários sinalizaram a greve por tempo ideterminado e o MPT e SRT deixaram a mesa de negociação, alegando que, sem propostas do outro lado (patrões), não há como fazer acordo.
O presidente do sindicato falou, ainda, que a categoria tentou acordo e diminui o máximo para que se fizesse um reajuste. O aumento de acordo com a inflação seria de 1,9%, mas os representantes das empresas alegam que não têm condições de oferecer nenhum aumento.
O assessor de relações sindicais do Consórcio Integra, Jorge Castro, informou que o reajuste não poderia ser concedido porque o sistema de transporte da capital baiana passa por problemas financeiros e acumula prejuízos.
Conforme Castro, o prejuízo mensal do sistema é de R$ 10 milhões. Segundo ele, o faturamento mensal chega a R$ 77 milhões. No entanto, o custo para manter o transporte é de R$ 87 milhões.
O principal fator apontado pelos donos das empresas, como um dos motivos para esse prejuízo é a integração com o metrô, uma vez que 80% dos passageiros de ônibus da capital baiana são advindos desse modelo de transporte.
O prejuízo com a integração se dá porque, do total do valor da tarifa, que é de R$ 3,70, as empresas de ônibus ficam com R$ 1,46. Esse valor representa menos de 40% do total da passagem. Nos casos de meia passagem, o valor recebido pelos donos das empresas é de R$ 0,73.
Além disso, a expectativa mensal de passagens pagas nos ônibus da capital não é suprida. Dos 28 milhões esperados, os ônibus de Salvador têm recebido apenas 21 milhões e 820 mil.
Outros fatores apontados para os prejuízos no sistema de transporte estão a crise econômica, o volume de gratuidades, – incluindo a de policiais militares e trabalhadores dos Correios -, o transporte clandestino e a regulamentação dos taxistas.
O último reajuste dos rodoviários ocorreu em maio de 2017. Na ocasião, a categoria desistiu de entrar em greve após aceitar aumento de 5% nos salários. A proposta foi colocada à mesa em reunião com os patrões pela Superintendência Regional do Trabalho e Ministério Público do Trabalho (MPT), que fez a mediação do acordo.
A tarifa de ônibus em Salvador custa R$ 3,70. Esse valor passou a valer no dia 2 de janeiro deste ano. Antes era R$ 3,60.
Greve
Após a paralisação dos ônibus da frota regular, a prefeitura montou um esquema especial com linhas do transporte alternativo, como vans e micro-ônibus, para tentar minimizar os impactos da greve para a população. Mesmo assim, foram vistos poucos “amarelinhos”, como são conhecidos os micro-ônibus, circulando em Salvador, nesta quarta.
Alguns passageiros reclamaram da cobrança de tarifa maior do que R$ 3,70, preço regular da passagem de ônibus em Salvador, por parte dos veículos do transporte alternativo.
Metrô, mototáxis e trens dos subúrbio também foram opção para os passageiros. O movimento foi intenso no metrô durante a manhã. Nos trens do subúrbio, o fluxo foi menor do que o esperado. Já os mototaxistas, aproveitaram a demanda de passageiros e teve condutor que chegou a fazer 25 viagens em 1h30.







